" Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que não tenho tido tempo de chorar"
Carlos Drummond de Andrade
Podemos dizer que amanheci assim hoje, ou será que irei dormir assim? Parece que essa questão de "por em dia" transforma a realidade em que vivemos.
Já percebeu o quanto demoramos para realizar algumas coisas? Priorizamos, colocamos metas, estabelecemos alvos, e quando vemos, lá estamos novamente reordenando tudo, e começamos de novo a priorizar...
De repente, quando observamos, é "um dia desses" e não sabemos o que vamos fazer.
Hoje, eu queria separar um "tempinho", mas não apenas para chorar as lágrimas, que não chorei de forma literal, e sim, para deixar escorrer as lágrimas que me neguei por um longo período, talvez por medo de errar ou até mesmo, medo do acerto. O medo é algo desagradável, como deixamos de viver por temer esta palavra. Assim, decidi, em meio as minhas lágrimas, eliminar o medo da minha vida. Como? Estou riscando do meu vocabulário - medo.
Enquanto isso as lágrimas continuam, são gotas que descem pelo rosto em busca de um fim.
O dicionário Michaelis descreve a lágrima como "pequena porção" , imagino que o tempo que "não tenho tido" é justamente por não dividi-lo em pequenas porções, percebo que este meu exercício de hoje, de por em dia meu choro, irá consequentemente, ordenar a minha vida, então vou criar pequenas porções de necessidades em meu dia, a fim de evitar que doses exageradas de situações difíceis exigiam 100% da minha disposição diária, e me impeçam de percorrer o belo, o afago, o amor, a alegria, os vínculos com o próximo e a intimidade com Deus.
Penso, que todos deveríamos, qualquer dia desses, separar um "tempinho" precioso para chorar. Não importa se literal ou de forma poética, confesso que hoje me ocorreu as duas formas ...
Até um dia desses ...
